Grande Concerto: STABAT MATER de Pergolesi

Amantes da Música como o nome indica, os elementos que constituem o Filomúsica Ensemble integram o T.N.S.Carlos, onde partilham e comungam a experiência artística e musical, na qualidade de cantores líricos e instrumentistas da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

Fundado por Filipa Lopes, o grupo apresenta uma composição versátil e permeável não só em termos de número de músicos mas também de cantores e instrumentistas que integram este ensemble, de acordo com o repertório a interpretar, tendo-se apresentado em Almada, Coruche, Entroncamento, Loulé, Moita, Óbidos, Sesimbra, Tavira e T.N.S.Carlos, adquirindo formalmente em 2015 a denominação definitiva “Filomúsica”.

Dos programas de concerto dos Filomúsica destacam-se “Petite Messe Solennelle” de Rossini, “Stabat Mater” de Pergolesi, “Sonho de uma Noite de Verão” de Mendelssohn, “Concerto de Música Coral Sacra Portuguesa”, “Concertos Líricos e Coros de Ópera”, “Concerto de Musicais”, “Concerto de Música Russa A Oeste dos Montes Urais”, e diversos concertos de música de câmara.

Giovanni Battista Draghi, de alcunha Pergolesi, nasceu em Itália em 1710 e morreu em 1736, sendo considerado um dos grandes músicos do Barroco Italiano: foi organista, violinista e compositor de ópera e música sacra.

A imagem de Pergolesi cristalizou-se ao longo dos séculos com base em poucas obras. É considerado por muitos especialistas como o “pai” da ópera cómica. Só recentemente foi recuperada toda a extensão da sua obra.

A sua música testemunha uma personalidade criativa extremamente sofisticada e complexa, restituindo-nos uma época e uma sociedade observada e interpretada através de múltiplas dimensões.

As suas obras sacras são caracterizadas pela solenidade e imponência, mas também pelo intimismo comovedor, onde o sagrado é entendido como fonte de experiência emocional e a divindade se revela através da tensão e da plenitude do sentimento. Dentro do espírito barroco, sente-se no entanto neste Stabat Mater uma dôr contida e digna.

Nas óperas, Pergolesi começou por escrever intermezzi que seriam tocados nos intervalos de óperas sérias em dois atos, e recebeu apoio de amigos, como, por exemplo, Jean-Philippe Rameau. Também escreveu diversas árias italianas ao estilo canzone, de muito bom gosto lírico.

Este Stabat Mater foi composto no final da sua vida, já em 1736, tal como o atesta o manuscrito, encomenda da Confraternità dei Cavalieri di San Luigi di Palazzo. Foi escrito num convento franciscano onde Pergolesi se encontrava internado com tuberculose, tendo ganho uma enorme popularidade após a sua morte.

Pergolesi estabeleceu na sua música eclesiástica um novo padrão musical quando, na transição do alto barroco para o classicismo, uniu os estilos antigo e novo, preservando o contraponto erudito ao mesmo tempo que trazia para a Igreja a linguagem decorativa e ornamentada da ópera italiana. Esta característica musical de antigo/novo foi o elemento fascinante do Stabat Mater: os duetos são uma preciosidade do estilo antigo. Já os solos tratam a linha melódica com uma nova visão musical, que iria encantar gerações de músicos. Este Stabat Mater permanece no repertório dos grandes intérpretes pela sua originalidade e valor artístico.

Programa: Stabat Mater – Pergolesi

“Stabat Mater Dolorosa”
“Cujus animam gementem”
“O quam tristis et afflicta”
“Quae moerebat et dolebat”
“Quis est homo”
“Pro peccatis suae gentis…”
“Vidit suum dulcem natum”
“Eja mater fons amoris”
“Fac ut ardeat cor meum”
“Sancta mater, istud agas”
“Fac ut portem Christi mortem”
“Inflammatus et accensus”
“Quando corpus morietur”
“Amen”

O texto, quase qual ladainha, está dividido em 12 secções:

Stabat mater dolorosa – A mãe dolorosa estava 
Juxta crucem lacrimosa, – Chorosa junto à cruz 
Dum pendebat filius. – Enquanto o filho pendia 

Cuius animam gementem, – Cuja alma que gemia 
Contristatam et dolentem – Aflita e em dor 
Pertransivit gladius – A espada atravessou 

Oh! quam tristis et afflicta – Oh, quão triste e aflita
Fuit illa benedicta, – Esteve ela, bendita
Mater unigeniti! – Mãe do unigénito

Quae moerebat et dolebat, – Como lamentava e se afligia
Pia mater, dum videbat – A mãe piedosa, enquanto via
Nati poenas inclyti. – Os sofrimentos do nascido glorioso 

Pro peccatis suae gentis – Pelos pecados de seu povo
Vidit iesum in tormentis, – Viu Jesus em tormentos
Et flagellis subditum. – E submetido aos flagelos

Vidit suum dulcem natum – Viu seu doce nascido
Moriendo desolatum, – Morrendo desolado 
Dum emisit spiritum.  – Enquanto entregava o espírito

Quis non posset contristari – Quem poderia não compadecer-se
Christi matrem contemplari – Vendo a mãe de Cristo
Dolentem cum filio? – Condoída com o filho?

Quis est homo qui non fleret, – Quem é o homem que não choraria
Matrem christi si videret – Se visse a mãe de Cristo
In tanto supplicio? – Em tanto suplício?

Eia, mater, fons amoris – Oh, mãe, fonte de amor
Me sentire vim doloris – Faz-me sentir a força da dor
Fac, ut tecum lugeam. – Para que eu lamente também

Fac, ut ardeat cor meum – Faz com que o meu coração arda
In amando christum deum – Ao amar Cristo Deus
Ut sibi complaceam. – Para que Ele se compadeça

Sancta mater, istud agas, – Santa mãe, fá-lo
Crucifixi fige plagas – Funde as chagas do crucifixo
Cordi meo valide. – No meu coração com força

Tui nati vulnerati, – Divide comigo os sofrimentos
Tam dignati pro me pati, – Da ferida do teu filho tão gentil a sofrer
Poenas mecum divide. – Por mim

Fac me tecum pie flere, – Faz-me chorar piedosamente contigo
Crucifixo condolere, – E que eu me condoa com o crucifixo
Donec ego vixero. – Enquanto viver

Juxta crucem tecum stare, – Esteja convosco junto à cruz
Et me tibi sociare – Unindo-me a ti
In planctu desidero – No pranto pelo luto.

Fac me cruce custodiri – Faz-me ser guardado pela cruz
Morte christi praemuniri – Fortalecido pela morte de Cristo
Confoveri gratia – Confortado pela graça

Quando corpus morietur, – Quando o meu corpo morrer
Fac, ut animae donetur – Faz com que a alma seja dada
Paradisi gloria – À glória do Paraíso

Amen – Amém

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  • Data : 28 de Março, 2026
  • Hora : 21:00 - 22:30 (Europe/Lisbon)
  • Local : Santuário Senhor Jesus da Pedra

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