UM SILABÁRIO POR RECONSTRUIR III

Esta exposição propõe uma experiência visual e conceptual em torno da ideia de linguagem, memória e reconstrução, convidando o público a observar, interpretar e criar relações entre fragmentos. Através de obras que podem cruzar desenho, fotografia, instalação ou outros suportes, “Um Silabário por Reconstruir” abre espaço à reflexão sobre como se constroem sentidos e como o olhar de cada visitante completa a narrativa.

O projeto expositivo é pensado a partir do universo literário e apresenta obras demonstrativas de um trânsito entre o visível e o dizível (a imagem e a palavra), mas também porque ativa o conceito de narratividade (a condição para a presença de um potencial narrativo nas obras). A partir de uma narrativa principal, comum aos quatro espaços, juntam-se narrativas encadeadas, com peças diferentes em cada um dos lugares.
As obras compreendem um largo período temporal, desde os anos de 1950 até 2023, de artistas das mais variadas gerações (nascidos na década de 1910 até 1990), para além de integrarem todos os suportes formais e géneros: desenho, pintura, escultura, fotografia, vídeo, instalação e performance.
Em algumas das peças, a leitura narrativa é sugerida de forma evidente pelo uso de marcas da língua inscritas na pele da imagem, colocando em marcha uma tensão entre a imagem pura e a presença desestabilizadora da palavra; noutras obras há marcas de línguas em potência (desenho de uma escrita primitiva), entre a pura visualidade e uma provável semântica. Da mesma forma, se apresentam obras cuja narrativa surge de aspetos formais no plano da representação (encenação de gestos ou comportamentos reconhecíveis e identificáveis com micronarrativas ou objetos comuns, na maioria dos casos, unidos do quotidiano) ou mesmo de elementos paratextuais (a própria legenda como indutora de uma leitura narrativa, o título ou outros elementos secundários da obra).
“Um silabário por reconstruir” é constituído por quatro exposições com obras da Coleção de Arte Contemporânea de Estado (CACE), em depósito no Centro de Arte Contemporânea de Coimbra (CACC), as novas aquisições (2019–2023) da CACE, obras da Coleção da Caixa Geral de Depósitos e da Coleção António Cachola e projeta-se em quatro lugares e momentos: Coimbra, no CACC e Sala da Cidade – Antigo Refeitório do Mosteiro de Santa Cruz, de fevereiro a maio de 2025; em Elvas, no Museu de Arte Contemporânea, de julho a outubro de 2025; em Óbidos, na Galeria NovaOgiva, de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026; e no Porto, na Culturgest, de março a junho de 2026.

“(…) Diz-se que a arte é aquilo que fere a morte, que luta com ela, dizia vestígio, um silabário por reconstruir. (…)”
Luís Quintais, A noite imóvel, Assírio & Alvim, Lisboa, 2017, p. 146.

CURADORIA
JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO E INÊS PINTO DE FARIA

Artistas
Alice dos Reis | Andreia Santana | Bruno Zhu | Cristina Ataíde | Daniela Krtsch | Dayana Lucas | Eduardo Batarda | Fernão Cruz | Francisco Tropa | João Penalva | Jorge Molder | José Pedro | Croft | Luísa Cunha | Mané Pacheco | Noé Sendas

UM SILABÁRIO POR RECONSTRUIR III (pdf)

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  • Data : 13 de Dezembro, 2025 - 15 de Fevereiro, 2026
  • Hora : 9:30 - 17:30 (Europe/Lisbon)
  • Local : Galeria novaOgiva